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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Arco tecnicas de arcadas

Se o aluno começa seus estudos técnicos logo no começo, seu domínio de arco se torna mais rápido, e suas dificuldades muito menores. Entre todos os estudos que fiz com os alunos que pude observar, posso afirmar com convicção que o que um aluno leva seis ou mesmo até sete anos para aprender numa metodologia normal, onde não há uma preocupação com a técnica, o aluno que tem contato com as técnicas desde o inicio aprende a mesma coisa e até muito mais em um ano e meio ou dois.

Quando me refiro às técnicas, estou me referindo as que dão a base para o aluno alcançar praticamente todos os golpes de arco usados para uma boa execução. Se você não tem noção ou nunca estudou técnica provavelmente deixará muito a desejar ou não conseguirá executar um concerto, que exija o mínimo de técnica, como por exemplo: Detaché, Soltiê, Staccato, Staccato volante, Spiccato, Cordas duplas, Acordes etc.

Com isso, quero deixar claro, que o estudo diário das técnicas e a disciplina para estudá-las é obrigatório para se formar um bom violinista que queira enfrentar o mercado de trabalho aqui no Brasil ou no exterior.

Você como aluno tem que entender que a cada técnica, arcada, escala, repertório, enfim, tudo o que estiver estudando, há um raciocínio lógico e um objetivo a ser alcançado, seria parecido com uma fórmula matemática, para depois de entendê-la, se sentir seguro e a vontade para calcular qualquer questão e resolver qualquer problema. Assim é o estudo do violino. Divida, multiplique, diminua e some. Quando aprender a fazer isso, Tocara qualquer coisa com muito mais facilidade e prazer do que possa imaginar.

Volto a frisar que a disciplina se faz importante. É necessário que se tenha organização. De nada adianta um estudo aleatório sem organização e raciocínio.

Pergunta: Quantas horas por dia devo estudar, e como faço para organizar meus estudos?
Resposta: A quantidade de horas que se deve estudar o violino está diretamente ligado ao seu interesse pelo instrumento e a sua vontade de aprender.

ORGANIZAÇÃO
Quanto à organização dos estudos, vou lhe responder da seguinte forma.
Faça de conta que você está entrando na minha sala de aula hoje, e vamos ter nossa primeira aula juntos. Para que você não fique perdido na hora de estudar o que peço, vou organizar seus estudos, vou dividi-los por partes, e explicar a você para que cada uma delas serve. Vamos começar dividindo seus estudos em quatro partes, que serão executadas todos os dias. Lembra do que falei sobre matemática?

Exemplo:
  1. Técnica de Arco + Golpes de Arco = Domínio de arco
  2. Escalas + Ritmo + solfejo = Afinação
  3. Método + técnica e escala = Execução
  4. Repertório x Tudo que estudou = Excelente violinista e professor feliz
Fácil não? Então vamos começar seus estudos, faça uma tabela se preferir, onde você dividirá seus estudos por partes, sendo elas:

Alongamento: Sempre faça alongamento antes de começar a estudar.

1.Domínio de arco: ( Lembre-se de manter o arco rente ao cavalete, nunca deixe que ele tenha uma trajetória torta entre o cavalete e o espelho.)

Comece com exercício em corda solta, puxando o arco bem devagar, do talão a ponta com sonoridade, seria interessante se você conseguisse cronometrar quantos segundos você leva para chegar do talão a ponta (e vice-versa) mantendo a sonoridade do instrumento. Tenha como meta, exatos 1 minuto. Faça isso até quatro vezes em cada corda todos os dias e não se stress querendo repetir os exercícios exaustivamente.

Golpes de Arco: Estude as técnicas de arco com metrônomo, estude sempre diante do espelho, que por sinal é um excelente professor. Não toque muitos compassos por dia (Principalmente se não está acostumado) EX: Dois compassos de técnica de colcheia, dois de técnica de colcheia com ligadura, quiáltera, e por ai vai. Não se esqueça de anotar onde parou e qual andamento estava o metrônomo.

Escalas: Estude as escalas sempre devagar escutando a afinação. No violino não existe milagre e sim regras e técnicas. Uma delas é a de que quanto mais devagar estudar, mais rápido irá aprender. Você pode começar fazendo quatro escalas maiores ( comece com um depois dois e vá até quatro sustenidos) Depois faça o mesmo com os bemóis

“O solfejo é muito importante e ajuda na afinação. Seria muito bom se antes de estudar qualquer música você a solfejasse. Isso ajuda e muito no desenvolvimento de uma leitura musical.”

2.Método: O estudo do método é feito sempre devagar e com metrônomo. Porém antes de tocar o exercício o aluno deve analisar o que vai estudar ex:
Tonalidade, Andamento etc. Geralmente num único exercício o número de informações é muito grande e no começo você pode sentir dificuldade em assimilar todas elas, meu conselho a você é “Não entre em pânico e tenha paciência com você mesmo”. O que vai fazer com que se aprenda bem o objetivo de cada exercício é o estudo devagar, com o tempo, esta leitura se torna automática, fazendo com que o instrumentista tenha um domínio completo de sua leitura.

3.Repertório: Faça o mesmo que fez no estudo dos seus métodos.
Um bom exercício para aprimorar sua leitura de notas é, quando estiver tocando uma nota olhe para a que vem em seguida, sempre antecipando seus olhos na nota seguinte. Com o tempo passe a ler duas notas adiante, depois três etc. mais não se esqueça de manter o andamento para não correr tentando acompanhar sua visão.

Bom, agora que organizamos seu estudo diário de violino, não aconselho que estude tudo de uma vez sem parar para descansar, pois ficará stressado, o estudo se tornara chato, doloroso, e o resultado pode não ser bom.

Faça o seguinte:
Separe seus estudos por minutos. Se você não está acostumado ao estudo diário de seu instrumento, ou seja, é daqueles que estuda meia hora antes de entrar para a sala de aula, não posso deixar de pensar em algumas coisinhas como:

Em Primeiro lugar, seu professor deve ser um “Santo” por deixar você fazer isso.
Segundo lugar, pelos meus cálculos, nesse ritmo você vai aprender alguma coisa de concreto no violino no dia de “São Nunca”.
Então, acho mesmo que você deve começar a estudar todos os dias.

TEMPO DE ESTUDO
Estude meia hora: faça o número 1 e 2 Descanse de dez a quinze minutos.
Estude mais meia hora: Faça o número 3 e solfeje a lição que vai estudar para a aula. Descanse novamente.
Estude meia hora de novo: Faça o número 4 devagar. Pare novamente para descansar.
(Uma boa dica que desenvolve bem a memória, seria você aos poucos ir tentando decorar o que toca. Comece com um compasso, depois tente decorar dois e assim vai).
Estude o numero 5 da mesma forma que estudou o número 4. e pronto, por hoje é só.

Pode ser que você estude mais ou menos do que meia hora, ou que não dê para fazer todos os exercícios de uma vez. Não tem problema, o importante é que estude tudo que precisa no dia. Amanhã comece tudo de novo até adquirir a disciplina necessária para o estudo do violino.

Garanto a você que o resultado é espantoso e suas dificuldades técnicas desapareceram com o tempo, para a alegria de seu professor.

Uma última coisa, o exemplo de estudo acima se refere ao aluno que já teve aulas de violino, se fosse um aluno iniciante, lógico que não poderia estudar dessa maneira. E também é lógico, que se o aluno já estuda o violino, as horas de estudos aumentaram de acordo com sua vontade. O ideal é que o aluno tenha uma disponibilidade satisfatória de seu tempo para se dedicar ao instrumento. O fator tempo é muito relativo, depende de cada um, pois sei que o que faz uma regra é a exceção, e no violino lhe damos com a exceção todos os dias. Cada um tem seu ritmo, e o mais importante neste caso é ter vontade, o resto acontece naturalmente.

* Texto de Patrícia Mello

Concluindo - O que a Mestra escreveu, não tem aplicabilidade somente no estudo do Violino. Este é um assunto da maior abrangência possível. Se seu  instrumento é de arco  e quiser seguir os sábios conselhos aqui mencionados, aonde se lê Violino, leia Viola, Cello ou Contrabaixo. Se seu instrumento for de corda tangida (Violão, Guitarra, Baixo Elétrico) raciocine com a mão do ritmo aonde se lê assuntos de arco. Piano, idem! Enfim, adapte o conteúdo deste texto a prática de seu instrumento e verá que a Mestra está certa.

O Arco dos Instrumentos de Cordas

Livro - Arco dos Instrumentos de Cordas, O

  • O Arco dos Instrumentos de Cordas: Breve Histórico, Suas Escolas e Golpes de Arco

    Este livro visa familiarizar estudantes, músicos e pesquisadores com a história dos instrumentos de arco, suas principais escolas estilísticas, nomenclaturas, técnicas e golpes. O conhecimento dessa terminologia pressupõe uma pesquisa dos golpes e sua origem, além de sua contrapartida em tradições e estilos diversos.

    Todo ilustrado, o livro também traz uma extensa tabela com os tipos de arcadas e explicações do efeito que estas produzem. Trata-se do primeiro trabalho sobre o tema em português.
  • Editora: Irmãos Vitale
  • Autor: HENRIQUE AUTRAN DOURADO
  • ISBN: 9788574072517
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2009
  • Edição: 1
  • Número de páginas: 99
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Grande

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Violoncelista Espanhol

 
Sinopse
O Violoncelista Espanhol é um livro de memórias arrebatador de um violoncelista espanhol ficcional. Feliu Delargo. A sua vida. desde uma educação humilde na Catalunha rural. passando pela aprendizagem em Barcelona e Madrid. até uma carreira brilhante como estrela europeia. é o fio condutor que nos guia pela história política e musical espanhola no início do século XX.
No início do século XX. numa poeirenta aldeia catalã. Feliu Delargo recebe um arco de violoncelo. iniciando a improvável carreira de músico. A Barcelona anarquista e a corte da monarquia em Madrid dão-lhe as primeiras verdadeiras lições sobre criatividade. princípios e paixão - e as suas consequências. A amizade com Justo Al-Cerraz. um pianista prodígio. é uma lição turbulenta para ambos. Juntos criam músicas maravilhosas e discutem sobre tudo o resto: o amor. a política. o objectivo da arte. Quando as tensões que impelem um mundo em guerra para a catástrofe trazem para as suas vidas Aviva. um violinista italiano com um passado atormentado. Feliu e Justo embarcam na sua última e mais perigosa colaboração.

O violoncelista

Em tom soturno, esta fábula narra a história de Goshu, um violoncelista aplicado mas medíocre. Prestes a ser responsabilizado pelo fracasso de uma apresentação importante da orquestra à qual pertence, muito a contragosto e sem perceber exatamente o que se passa, ele conta com a ajuda de pequenos e doces animais para melhorar sua técnica. Coleção Barco a Vapor Série Laranja



Coleção Barco a Vapor Série Azul
O violoncelista
Kenji Miyazawa (Japão)
Tradução Lúcia Hiratsuka
Ilustrações Lúcia Hiratsuka (Brasil)
Formato 12 x 19 cm
80 páginas

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ANTONIO MENESES - ARQUITETURA DA EMOÇÃO

Aos 53 anos, Antonio Meneses resistiu um pouco mas acabou aceitando o convite dos jornalistas João Luiz Sampaio e Luciana Medeiros para a publicação de um livro de relato de sua vida até aqui. Resultado de um trabalho de pesquisa e longas horas de entrevista com o violoncelista pernambucano radicado na Suíça, Antonio Meneses, arquitetura da emoção está sendo lançado pela editora Algol este mês, quando Meneses vem de se apresentar no Rio e ruma esta semana para uma série de três concertos com a Osesp na Sala São Paulo.
No Rio, ele deu semana passada uma versão sonora, robusta e romanticamente franca do Concerto de Schumann. Em São Paulo, serão ouvidos os Concertos nº 1 de Chostakovich e o de Elgar. Nas duas cidades, ele se apresenta com um instrumento feito na primeira metade do século XVIII pelo luthier napolitano Alessandro Guadagni, que se aperfeiçoara em Cremona com Nicolò Amati e Antonio Stradivari.
Esse violoncelo, comprado por Meneses ao colega suíço Thomas Demenga, é considerado pelo músico brasileiro um “puro-sangue”: “Até hoje esse é o meu melhor instrumento, entre todos os que já tive”, diz ele, em depoimento reproduzido no livro. “Tem uma qualidade e uma quantidade de som bem maiores do que todos os outros violoncelos, me abriu possibilidades interpretativas muito maiores. Sinto o Gagliano como um cavalo puro-sangue árabe, poderoso, tem capacidade de ir muito mais longe do que um pangaré. É um instrumento maravilhoso, uma obra de arte, com a história documentada.”
Até chegar a ele, Meneses passou por uma longa linha sucessória, conforme relatam Sampaio e Medeiros. Depois de vários instrumentos emprestados, alugados ou pouco dignos de nota, o primeiro cello de peso que ficou em seu poder longo tempo foi um instrumento antigo que pertencia a seu mestre Antonio Janigro, com quem se aperfeiçoou na Alemanha: um Guadagnini que, mais tarde se descobriria, não era um original, mas uma cópia. Em 1979, depois de uma campanha de arrecadação de fundos, Meneses pôde dotar-se de um Guarnerius que ficou em seu poder cerca de dez anos. “Chegou um momento em que eu comecei a ficar decepcionado: o som que eu escutava dentro de mim não correspondia ao que eu ouvia do instrumento”, diz ele no livro. “Mas hoje talvez eu não o tivesse vendido – teria talvez procurado outro luthier para fazer ajustes e modificações, porque o instrumento muda com o tempo, quase como um ser vivo. Ele vai envelhecendo; as variações de temperatura afetam as fibras, o calor e o frio vão dilatando e contraindo a madeira e, com o tempo, ela perde a agilidade.”
Vendido o Guarnerius no início dos anos 90, Meneses comprou um Landolfi que ficou em seu poder pouco tempo e também usou por dois anos um Goffriller que pertencera a Pablo Casals. Passaram ainda por suas mãos um Gofriller próprio, e não apenas emprestado, um Vuillaume que era cópia de Stradivarius feita na primeira metade do século XIX.
Luthier Michael Stürzenhofecker com o violoncelo feito para Antonio Meneses
Mas, surpreendentemente, Antonio Meneses está atualmente apaixonado por um violoncelo moderno, feito na Suíça pelo luthier Michael Stürzenhofecker. Por especial autorização sua e dos autores, reproduzo a seguir o trecho de Antonio Meneses, arquitetura da emoção em que é relatado seu encontro com esse instrumento que agora o acompanha também em suas turnês e gravações. Podemos perceber igualmente, nesse relato, as muitas sutilezas e o tipo de preocupações que rondam um músico do seu nível na escolha do instrumento.
O livro terá lançamento em São Paulo no dia 27 de outubro, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e no Rio de Janeiro no dia 29 de outubro, na livraria Travessa do Shopping Leblon.
A seguir, o trecho de Antonio Meneses, arquitetura da emoção

Um jovem violoncelo
Numa pequena casa de dois andares, na cidade suíça de Cully – à margem do Lago de Genebra – fica o ateliê de Michael Stürzenhofecker. Na fachada, o letreiro, LUTHIER, está pendurado acima de um violino
inacabado; a oficina, com seus tornos manuais, tábuas e potes de cola e verniz, tem grandes janelas por onde entra a luz invernal, acentuando os matizes da madeira crua nas dezenas de instrumentos em diversas
fases de confecção. O aroma é agradabilíssimo. Michael celebra a chegada de Antonio, que vem carregando sua mais perfeita criação – um violoncelo único, cuja madeira foi comprada a peso de ouro.
Passando pela cidadezinha, a caminho de Genebra, Antonio aproveita para deixar o instrumento para um pequeno ajuste no espigão. Na oficina, diverte-se examinando cavaletes, tampas, fundos, volutas de violinos, violas e violoncelos. Michael, sempre sorridente, acomoda o violoncelo em seu estojo e faz questão de mostrar também a casa onde vive, alguns metros à frente na rua sinuosa. Muito tempo atrás, conta ele, ali era parte do hospital da cidade. O porão, hoje um quarto de costura, tem abóbadas pintadas. A data do afresco: algum momento do século XII.
Alto, magro, simpático, no fim da casa dos quarenta anos, Michael se apresentou pela primeira vez a Antonio no início dos anos 2000, ao final de um concerto em Genebra. “Ele apareceu e disse: ‘Meneses, sou luthier e gostaria de mostrar um instrumento’. E eu, que sou curioso, disse: ‘Claro!’. Experimentei, adorei, ótimo instrumento. Durante vários anos, toda vez em que eu tocava nessa região de Lausanne e Genebra ele aparecia.” Antonio passou a conversar mais com Michael, levou o Gagliano para que ele fizesse um novo cavalete, ficaram amigos. Um dia, no fim de 2007, o luthier estava sério e ansioso para conversar com Antonio. “Ele me disse que tinha conseguido uma madeira realmente singular e que ia construir um instrumento muito, mas muito especial. Contou que é muito difícil encontrar madeira de qualidade hoje em dia, talvez porque existam cada vez menos florestas, e muito menos ainda árvores antigas. E é preciso lembrar que, quando se derruba a árvore, a madeira ainda precisa ficar secando durante dez, vinte anos. Eu acho – não tenho certeza – que a madeira veio da antiga Iugoslávia, onde ainda existem florestas centenárias; e me parece que era também dali que saía a madeira usada por Stradivarius. Veneza e Cremona são bem perto desse local, a atual Croácia, e isso faz todo o sentido. Pois então: um dia, o fornecedor de Michael apareceu com essa madeira. Custava uma fortuna, era madeira especial de verdade.”
Michael comprou, a peso de ouro, matéria-prima suficiente para fazer um violoncelo, alguns violinos e uma viola. No fim de 2009, ligou para Antonio e combinou mostrar o instrumento recém-terminado. “Ao abrir a caixa já fiquei boquiaberto – nunca tinha visto um violoncelo moderno com essa beleza, feito de uma madeira que a gente vê como é especial num primeiro olhar; me lembrou os grandes instrumentos antigos, os Stradivari. Uma coisa maravilhosa.”
Mas o novo violoncelo era mais do que um rostinho bonito. “Comecei a tocar – e fiquei ainda mais encantado: era uma quantidade de som, de uma qualidade que eu não sabia ser possível em um instrumento moderno. Ele próprio ficou assustado, tremia – já sabia que o instrumento era bom, mas não continha o nervosismo. Parecia que estava parindo naquele momento. Depois me contou que, quando terminou de confeccioná-lo, tocou algumas notas e disse ‘opa!’; e que um amigo violoncelista, a quem levou o instrumento para uma experiência, quis comprar na hora. Mas Michael queria me mostrar primeiro. E eu disse: ‘É, esse aqui está realmente superior a tudo o que você fez até hoje em matéria de violoncelo. Eu quero continuar experimentando’. Michael tinha que viajar a Berlim a negócios; eu tinha um concerto marcado na mesma cidade na semana seguinte, e combinamos de nos encontrar lá. A bem da verdade, eu não estava pensando nem em levar o instrumento dele, queria apenas experimentar mais algum tempo. Mas, uns três dias depois, liguei para Michael: ‘Vou tocar nesse violoncelo com orquestra’. Seria a Konzerthaus Orchester, que tem
sua sede onde era a Alemanha Oriental. No programa, o Concerto de Penderecki, que tem uma formação enorme. Depois, eu faria ainda um concerto na Philharmonie com a Sinfônica de Berlim, tocando o Duplo de Brahms.”
No dia do primeiro ensaio, Michael estava no fundo da plateia – outra vez, inquieto. “Lembro dele andando pra baixo e pra cima, nervoso. Eu estava tocando – e ninguém estava me cobrindo! Logo depois, os músicos da orquestra vieram olhar – ‘que instrumento é esse? Moderno? Uau’. E Michael atestou que dava para ouvir tudo, ‘e com qualidade’.”
“A sonoridade deste violoncelo é como a voz de um barítono muito potente, cheia”, define Antonio. “Ao mesmo tempo, quando chega aos agudos, tem doçura, mas com uma potência que parece às vezes a de
um trompete. Eu toquei esses concertos e já em Berlim falei para o Michael: ‘Eu vou comprar esse instrumento, é meu’. Ele ficou muito feliz, inclusive porque não é normal essa decisão rápida; geralmente
se compra o instrumento depois de experimentar durante um mês, ou às vezes meses. Os luthiers ficam na espera, e se o músico diz não, eles têm de começar tudo de novo com outra pessoa. Nesse caso, em
menos de uma semana eu tinha decidido comprar.”
O novo violoncelo custou relativamente caro para um instrumento moderno – que, dependendo do luthier, das circunstâncias, pode valer entre quinze mil e cinquenta mil euros. “E esse estava no patamar mais alto. Os últimos concertos e recitais de 2009 foram todos com esse novo instrumento, no Rio, em São Paulo, em Porto Rico, na Colombia e no Equador tocando Villa-Lobos; todo mundo espantado com a potência e a qualidade sonora.”
O processo de escolha de um instrumento enfim é descrito por Antonio como “uma combinação de experiência e sorte” – ou intuição, um combo de percepções que, naturalmente, se aprimoram com o passar dos anos. “Você precisa ter a noção do que o violoncelo é capaz. Hoje em dia eu sei, mas a certeza ainda pode ser difícil: em geral se experimenta um instrumento numa sala pequena, onde qualquer violoncelo pode soar bem, ou ao menos decentemente. E é preciso saber como ele projeta o som numa sala de concertos. Algumas vezes eu errei, considerando bom o suficiente aquilo que eu estava ouvindo ali, mas que não funcionou numa grande sala.” Entre os atributos para escolher o instrumento que só a experiência traz, está, é claro, a vivência direta de diferentes instrumentos nas mais diversas circunstâncias. “Tem que ter parâmetros também, conhecer instrumentos, o melhor, o pior, saber até onde podemos ir como instrumentistas – o céu é o limite?” O processo de escolha às vezes conta com conselhos de amigos, ou inclui a chance de tocar numa sala de concertos para alguém escutar ou mesmo ouvir alguém tocar; mesmo
assim, ressalta Antonio, “tudo isso não dá uma ideia exata. Se eu peço a um aluno para tocar, ele usa o instrumento de maneira totalmente diferente de mim. Descobrir uma pessoa que toque parecido comigo é
quase impossível. Ou seja, a escolha é feita baseada em intuição, sorte, sentimento; você gosta porque tem uma cara bonita, não sei… são diversos fatores e circunstâncias”.
Dentre os muitos instrumentos que experimentou na vida, “incluindo excelentes Stradivari”, Antonio guarda uma extraordinária lembrança. “A primeira vez em que eu vi o que era possível num instrumento foi na Biblioteca do Congresso de Washington. Eles têm em acervo um Stradivarius desses grandes, que não foi diminuído, e que eu só pude usar ali, nos ensaios e em um concerto que o [Trio] Beaux-Arts fez lá. Quando eu comecei a tocar, fiquei assustado porque não sabia que aquilo era possível. E o instrumento foi tendo cada vez mais som! Abrindo, abrindo… a impressão que eu tive era de que não havia limite. Ele chega à potência de um contrabaixo, especialmente nos graves. Foi quando eu vi o que é um grande instrumento. Eu estava tocando um trio de Haydn, e era de assustar o som, um transatlântico, um trator, uma coisa louca.”

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Livro mostra a criação do violoncelo Aleijadinho

  Não é de hoje que luthiers brasileiros - artesãos que criam instrumentos de cordas com caixa de ressonância - ganharam respeito e credibilidade não só no Brasil como no exterior. Mesmo que a aqui no País a luteria não seja tão difundida e não tenha criado tradição e escola, há profissionais que podem ser classificados como verdadeiros artistas, fabricando instrumentos para os melhores músicos do mundo. É o caso do pernambucano Saulo Dantas-Barreto, que teve um recorte de seu ofício retratado pela jornalista Marcia Glogowski no livro "Aleijadinho, o Violoncelo - A Luteria de Dantas-Barreto" (Alaúde, 88 págs., R$ 92), que será lançado hoje em São Paulo.

  A obra, que ficou pronta em 2008, com edição bilíngue (português e inglês), mostra todo o processo de fabricação do violoncelo Aleijadinho, instrumento com ornamentação inspirada no escultor brasileiro, e que foi apadrinhado pelo violoncelista Antonio Meneses, respeitadíssimo no mundo inteiro e professor do conservatório de Berna, Suíça.

  Há puristas que podem até torcer o nariz para os instrumentos feitos por Dantas-Barreto no que diz respeito às inovações estéticas, como o luthier já havia realizado com os violinos Floresta do Amazonas e Mata Atlântica, mas que acabam se rendendo à qualidade do resultado sonoro conseguida pelo artesão. "Eu destaco no livro que, neste aspecto, o trabalho do Saulo é mais tradicional do que parece, ele é super rígido naquela receita de criar um instrumento. O que ele cria é para potencializar o som, como a barra harmônica curva, que vemos no Aleijadinho. Ele faz a inovação técnica, mas mantém a tradição. O trabalho do Saulo ensina muita coisa aos luthiers brasileiros, que já têm sensibilidade de artistas, mas carecem da disciplina necessária para esse tipo de profissão", diz Glogowski.

  Além do trabalho de Dantas-Barreto em si, como as técnicas para preservar o instrumento em caso de manutenção, a feitura da ornamentação pela técnica da marchetaria, como se fosse uma tatuagem no violoncelo, o livro - com fotos de Niels Andreas - tem prefácio do maestro Júlio Medaglia, um capítulo introdutório contextualizando a história da luteria no Brasil, e outro no fim contando a trajetória do violoncelo, instrumentos feitos anteriormente pelo luthier e curiosidades como cartas enviadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a Dantas-Barreto em agradecimento ao reconhecido trabalho realizado por ele em países no exterior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Aleijadinho - Marcia Glogowski. Editora Alaúde. Local: Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073). Hoje, às 18h30.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dicas de leitura!



Infelizmente não encontrei nenhum comentário sobre este livro, o pôster esta ai para quem procura uma leitura diversificada, você pode encontrar este livro a venda em alguns sites de vendas, quem já fez a leitura desta obra e poder contribuir é só deixar a mensagens.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Violoncelo de Sarajevo

Sinopse

O Violoncelo de Sarajevo é um relato ficcionado do cerco feito a Sarajevo entre Abril de 1992 e Fevereiro de 1996. Apoiado em factos reais, dá a conhecer o intenso drama vivido pela população de Sarajevo, onde foram mortas mais de dez mil pessoas e feridas mais de cinquenta e seis milhares. Por detrás da sua janela, um violoncelista não podia prever o que iria acontecer: 22 pessoas mortas à sua frente num tiroteio enquanto esperavam na fila para a ração de pão. Em sua homenagem o violoncelista toca sentado no meio da rua o Adágio de Albinoni durante 22 dias seguidos e sempre à mesma hora. Surge no entanto a notícia de que há um plano para assassinar o músico em plena actuação, quando faltam apenas dois dias para que complete as 22 sessões. NOTA: Um compositor inglês, David Wilde, sensibilizado pela história compôs uma música chamada "O Violoncelo de Sarajevo", que mais tarde foi interpretada por Yo Yo Ma, célebre violoncelista norte-americano de origem chinesa, no Festival Internacional de Violoncelo em Manchester. 

Fonte: http://www.wook.pt/
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